A criatividade como uma atitude perante à realidade

O André Martins, que é o curador desse módulo, pede para que você comente a seguinte afirmação: “se a criatividade é expressão de força vital, a falta de criatividade poderia ser vista como um bloqueio da espontaneidade, da expressão de si mesmo, do contato com o núcleo do self, essa fonte de vida que cada um é”.

É importante, então, para poder comentar a intervenção do André, colocar rapidamente o conceito de verdadeiro self, que é um conceito winnicottiano. Winnicott fala: “nós podemos construir nosso verdadeiro self ou um self adaptativo, um self defensivo”. Mas, isso não é a realização de uma essência, é uma tendência, uma virtualidade que pode ou não se concretizar.

Agora, qual a tendência? Nós somos por natureza seres criativos. A criatividade, em Winnicott, não é a criatividade apenas do grande artista, do grande criador, a criatividade é a atitude perante à vida, uma atitude perante à realidade. Winnicott vai dizer que se a fantasia, se quando criança, opera de determinada maneira, na vida adulta, continua sempre funcionando.

Nós nunca temos uma relação direta com a realidade. Nós sempre temos uma relação com a realidade mediada pela fantasia. A pergunta é: mas qual a diferença com os? Eles também se relacionam através de fantasias, sem tomar notícia do mundo real. A diferença, Winnicott é explícito nisso, é que nós aprendemos com a experiência.

Quais são as fantasias que funcionam no cotidiano e quais que não. E as que não, guardamos para a religião e para a arte. Então, a criação de nós mesmos, criar nosso verdadeiro self, e a atitude criativa perante a realidade, isto é uma exigência da nossa natureza.

Inspirado em conteúdo externo
Saiba Muito Mais, com Humberto Massareto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *