Sensos-e Vol: III Num: 1  ISSN 2183-1432
URL: http://sensos-e.ese.ipp.pt/?p=10575

Artes Visuais para a Educação Infantil: Atividade Semipresencial na Formação de Professores

Autor: Lígia de Assis Monteiro Fontana Afiliação: Universidade Aberta de Portugal
Autor: Lilian de Assis Monteiro LIZARDO Afiliação: Universidade Presbiteriana Mackenzie
Resumo: Com o crescente número de aplicativos presentes na comunicação instantânea, o presente estudo visa mostrar o resultado de uma aula digital online dialogado com um Workshop educacional presencial realizado com estudantes do curso de Pedagogia de uma instituição particular de ensino. O objetivo foi oferecer subsídios para uma prática pedagógica diferenciada que incide em reflexões sobre a utilização consciente dos smartphones no ambiente escolar com o aplicativo Whatsapp. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que utilizou como instrumento de coleta de dados a observação participante. Após um olhar atento para o objeto de pesquisa, foi possível identificar que o aplicativo pode contribuir para uma aprendizagem significativa, desde que o professor utilize de um design instrucional para a organização do ambiente.
Palavras-Chave: mobile learning, aula digital, formação de professores.

Abstract: With the growing number of applications present in the instant communication, the present study aims to show the result of a digital online class in dialogue with a face-to-face educational Workshop held with students of Pedagogy of a particular educational institution. The goal was to offer subsidies for a differentiated pedagogical practice that focuses on reflections on conscious use of smartphones in the school environment with the What’s app application. It is a qualitative research that used as instrument of data collection the participant observation. After a closer look at the object of research, it was possible to identify that the application can contribute to a meaningful learning, since the teacher use of instructional design for the environmental organization.
Keywords: mobile learning, digital classrooms, teacher training.

Artes Visuais para a Educação Infantil: Atividade Semipresencial na Formação de Professores

Autor: Lígia de Assis Monteiro Fontana Afiliação: Universidade Aberta de Portugal
Autor: Lilian de Assis Monteiro LIZARDO Afiliação: Universidade Presbiteriana Mackenzie
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1. Introdução 

Com o avanço tecnológico no uso da internet e de aplicativos, softwares e plataformas virtuais, nossa cultura se transforma para um novo contexto: A era digital.  E mediante este progresso surge um novo conceito de aprendizado, que deve ser pensando durante a formação do indivíduo, colaborando para que os professores e alunos transformem suas vidas e relações em processos permanentes de aprendizagem contribuindo para ao processo formativo tecnológico com o objetivo de desenvolver cidadãos produtivos para esta sociedade globalizada. (Moran, 2013)

Nesta perspectiva, dentro do âmbito educacional, transforma-se o papel do professor, já que antes era o detentor do conhecimento. Para Behrens (2013) é necessário levar em conta a linguagem digital para romper com o conservadorismo, sendo imprescindível que o professor leve esta linguagem em conta, além da linguagem oral e escrita, que envolve historicamente o processo de ensinar e aprender.

Na nova concepção, o estudante deixa de ser apenas um espectador da aula e passa a ser um protagonista da sua própria aprendizagem, sendo motivado a buscar o conhecimento e desenvolver sua criatividade e autonomia para sempre buscar soluções para novas situações problemas (Fava, 2014).

Para Belloni (2009) o ensino é capaz de levar os alunos a viverem o seu processo de aprendizado, todavia devem ser auxiliados na construção da aprendizagem criativa e autônoma. Nesta perspectiva o professor assume um papel de facilitador e mediador dos processos tecnológicos, pois os estudantes não encontrarão respostas prontas. Também não trabalha sozinho. Usa a tecnologia, defende suas ideias e trabalha na comunidade para complementar seu trabalho acadêmico (Fava, 2014).

Com domínio das tecnologias da informação, estes conhecimentos podem ser trabalhados a fim de promover um sentindo social, tanto para comunidade quanto para a unidade educacional.

Pensando desta forma podemos verificar que as novas tecnologias estão cada vez mais presentes na vida desta nova geração de crianças e adolescentes sendo necessário que as escolas e universidades estejam preparadas para utilizar novas tecnologias a favor do ensino e da educação.

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A relevância educacional da atividade se encontra na variedade que juntas se complementam, pois dentro de uma sala de aula temos vários seres pensantes que interpretam a temática de uma forma, cada um com sua particularidade e bagagem cultural e cientifica. Observar outros grupos, as diversas interpretações e colocações, promove um confronto educacional, novas hipóteses, construções de conceitos acomodando e gerando novos conhecimentos.

O importante é fazer do momento da atividade e o período que a antecipa, interações prazerosas e dinâmicas. Esta postura motiva os participantes, futuras ações e gera expectativa como será esta comunicação e troca de saberes. A interação que antecede a atividade proporciona também, em argumentos inovadores e significativos, pois motiva o participante a estudar e estimula na elaboração dos argumentos que serão trocados.

Refletindo sobre a comunicação digital existente com o crescimento de aplicativos, esta prática de ensino surgiu para pensar na importância de criar estratégias metodológicas na produção do conhecimento favorecendo a reflexão e interação digital.

Para responder o problema central: O uso de aplicativos móveis pode colaborar para uma aprendizagem significativa dentro da formação inicial do professor? Foi planejada uma atividade digital com o objetivo geral de oferecer subsídios para uma prática pedagógica diferenciada que incide em reflexões sobre a utilização consciente dos smartphones no ambiente escolar, por meio do uso do aplicativo Whatsapp. Além de investigar os benefícios desta metodologia na formação de professor, buscando identificar dificuldades que foram enfrentadas pelos participantes, bem como a interação, a construção do conhecimento e o desenvolvimento de um comportamento investigativo e colaborativo.

Palloff e Pratt (2002) mostram que o processo colaborativo de aprendizagem é fundamental para que as atividades ocorram de forma positiva e com o sucesso satisfatório. As referidas autoras definem a aprendizagem colaborativa e/ou cooperativa como sendo um conjunto de processos no qual as pessoas focam na ideia de trabalho coletivo e na colaboração entre os participantes, mas sempre orientada por uma pessoa que neste caso pode ser o professor que se torna um mediador pedagógico.

Neste caso, como os estudantes do curso de pedagogia irão trabalhar com um público que vive na era digital, como mostra a seguinte pesquisa:

Os resultados indicam, também, que o uso de Internet aumenta em razão da idade dos entrevistados, pelo menos entre os que acessam a Internet todos os dias, pois, assim como acontecia em 2012, em 2013 foram observados percentuais maiores à medida que aumenta a faixa etária dos respondentes: os de 9 a 10 anos representavam 36% e passaram a 49%; os de 11 e 12 anos subiram de 43% para 50%; os de 13 e 14 anos saíram de 53% para 65%; e os de 15 a 17 anos cresceram de 56% para 74%.(Marques, 2015, p.14).

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O uso da internet pelas crianças e adolescentes ocorrem por meio de diferentes recursos tecnológicos, celular, tablets, computadores. Sendo assim, o professor pode associar o uso da tecnologia com atividades educacionais, cujo tempo será transformado para o aprendizado, a navegação acontece com um objetivo pedagógico. Pensando desta forma os estudantes do curso de pedagogia utilizaram este aplicativo favorecendo novas possibilidades educacionais.

Outro fator que movimenta esta atividade é o conteúdo desenvolvido digital, mas de forma lúdica, que se torna uma ferramenta de avaliação e registro com o objetivo de acompanhar o crescimento e amadurecimento intelectual dos estudantes. Também é uma forma de mapear o conhecimento inicial da bagagem cultural da turma, assim criar novas estratégias de trabalho que podem ser pensadas e desenvolvidas.

Os resultados que foram alcançados nos fazem refletir sobre como as novas tecnologias digitais ampliam a velocidade e o potencial da capacidade de aprender, de forma a registrar, estocar e representar a informação escrita, sonora e visual. (Kenski, 2007)

 2. Metodologia do trabalho 

Esta pesquisa é de base qualitativa que utiliza como instrumento de investigação a observação participante que “consiste na participação real do pesquisador na comunidade ou grupo” (Lakatos e Marconi, 2010, p.177).

A comunidade envolvida eram 14 alunas e 1 aluno, do 5º/6º trimestre noturno do curso de Pedagogia de uma instituição particular de ensino.

Inicialmente foi planejado um curso de formação continuada sobre artes na educação infantil. O período de realização ocorreu entre os dias 01 a 04 de junho de 2015, totalizando 24 horas de aula. A participação ocorreu em dois momentos: presencial e a distância.

No momento do ensino a distância foi planejado uma aula virtual intitulada: “Aula Digital: Desenhos na Educação Infantil”, para sua execução foi criado um grupo no aplicativo Whatsapp pela professora Ligia Fontana, titular da disciplina “Formação do professor de Educação Infantil”, no qual foi tratado conteúdos como: fases do desenho, tipos e simbologia, importância para identificar situações que necessitem de intervenção, visão de Luquet e Piaget e avaliação de alguns desenhos como parte prática e exercício desta aula.

Já no momento do ensino presencial foi realizado um workshop educacional que foi intitulado da seguinte forma: “I Workshop educacional: técnicas de arte para a educação infantil” realizada pela Prof.ª Lilian Lizardo.

A Prof.ª Lilian Lizardo abordou com os alunos a leitura e releitura de diferentes obras de arte dialogadas com diferentes técnicas de pintura para serem aplicadas em qualquer contexto escolar.

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A organização do Workshop educacional, ocorreu com a parte teórica sempre associada à leitura de obras de arte e possibilidades de parte prática envolvendo atividade e projetos educacionais. As técnicas de arte trabalhadas foram: guache e cola; papel crepom com água e cola; dobradura do sapo; monotipia; bolinha sabão colorida; pintura coletiva; autorretrato com espelho; carvão com cola; pintura aquarelada; pintura com bucha; positivo e negativo com raspas de giz de cera; desenho mágico – giz de cera banco e anilina diluída e dobradura da casa; criação livre com objetos não estruturados. E a fruição partiu das obras dos seguintes artistas: Van Gogh; Romero Brito. Poesia de Cecilia Meirelles “Bolhas”; Body Art de Priscilla Davanzo; Piet Mondrian e Miró.

Os alunos participaram do Workshop educacional com todas as técnicas apresentadas na prática e montaram um portfólio de possibilidades educacionais nesta área.

Durante todo o curso realizado havia a interação entre estudantes e as professoras, nesta perspectiva as observações participantes foram de forma natural e artificial concomitantemente, na medida em que a professora titular da sala acompanhava a realização do curso, ou seja, estava integrada ao grupo. E a professora convidada observava se os alunos conseguiam atingir os objetivos propostos, ou seja, o observador tem a intencionalidade de “integrar-se ao grupo com a finalidade de obter informações” (Lakatos e Marconi, 2010, p.177).

A observação se deu em todos dos contextos desde os diálogos no aplicativo Whatsapp até a aula presencial com a realização das técnicas com diferentes materialidades artísticas.

 3. Atividade semipresencial na formação de professores

Este projeto consiste em utilizar o Whatsapp como ferramenta no processo de ensino aprendizagem. Nesta etapa do projeto foi trabalhado um conteúdo voltado para a ampliação do reportório cultural e conhecimento pedagógico a respeito do desenho infantil e suas respectivas fases.

Ao partir do pressuposto que “o professor precisa saber que pode romper barreiras mesmo dentro da sala de aula, criando possibilidades de encontros presenciais e virtuais que levem o aluno a acessar as informações disponibilizadas no universo da sociedade do conhecimento. (Behrens, 2013, p. 80) foi criado o curso. Com o diálogo entre o ensino presencial e a distância, utilizando os recursos que estão disponíveis a todos, foi organizado os tópicos abaixo descrevendo as atividades.

 3.1  Grupo no Whatsapp: Diálogos e reflexões sobre o desenho infantil.

O “Projeto Mobile Learning: Whatsapp na educação 3.0” é uma atividade educacional que gira em torno do uso das ferramentas de comunicação, como o aplicativo Whatsapp na educação. A implantação desta modalidade de ensino teve início no 2º trimestre de 2014, dando continuidade no ano letivo vigente. Até o momento foi utilizado quatro formas diferentes de atuação no aplicativo, como: “avaliação na palma da mão”, “curso: design thinking para a educação”, “oficina: audiodescrição para literatura infantil” e neste estudo será relatado um momento específico, quando o olhar para a pesquisa foi transformado, que constituiu no curso “aula digital: desenhos na educação infantil”.

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Ao pensar em um trabalho diferenciado para ser realizado no ambiente acadêmico foi planejada a proposta de utilizar o celular para continuar os diálogos que efervescia a sala de aula e diante da finalização da proposta podemos verificar o quanto os indivíduos são digitais e como se movimentam no espaço cibernético.

O uso do celular como prática pedagógica vem aumentando no Brasil, como mostra a pesquisa realizada pela CETIC em 2015;

 No Brasil, os professores começam a incorporar as tecnologias móveis para auxiliar as atividades pedagógicas. Em 2015, o percentual de professores que também utilizaram o celular para acessar a Internet aumentou em relação ao último ano da pesquisa: passou de 66%, em 2014, para 85%, em 2015. Com a disseminação do uso da rede por meio do celular, mais de um terço dos docentes (39%) afirmou utilizar o dispositivo para realizar alguma atividade com os alunos. (CETIC.BR)

 Para superar o uso do celular no ambiente educacional como convenção social (Bento e Cavalcante, 2013) a proposta desta atividade é de um curso semipresencial, certificado pela universidade, para conscientizar os futuros professores do uso de recursos pedagógicos e tecnológicos que podem estar acessíveis a todos.

Para a interação durante o curso ocorrer de forma clara e objetiva foi pensado no diálogo entre as atividades presenciais e a atividade a distância. Além de um design específico que criasse a identidade daquele momento de formação. E um cronograma de início e fim das tarefas.

 A primeira etapa foi desenvolvida para trocar os conhecimentos prévios dos estudantes. Seria um mapeamento do que poderia incidir no replanejamento das atividades. Todavia os resultados foram positivos, os alunos interagiam uns com os outros e respondiam aos questionamentos levantados para gerar reflexão e pesquisa.

IMG1Inspirados na maiêutica socrática, os questionamentos por parte do mediador eram constantes a fim de levar o público a reflexão de conceitos e assim a construção do conhecimento individual e coletivo (Levy, 2009). Além de gerar maior enriquecimento na interação, possibilitar uma “reflexão crítica do papel da informática na aprendizagem e dos benefícios que a era digital pode trazer para o aluno como cidadão” (Behrens, 2013, p.81).

IMMGG2As dificuldades encontradas foram a simultaneidade de respostas, já que não é uma plataforma de ensino e o aplicativo não foi criado para esta finalidade, as discussões ocorriam de forma simultânea, assim um determinado questionamento poderia ser respondido de forma subsequente ou não. Para Kenski (1998) a vantagem das tecnologias digitais é o rompimento de uma narrativa continua e sequencial de imagens e textos e passa a ser um fenômeno descontinuo.

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A facilidade encontrada estava na palma da mão, pois a participação poderia ocorrer em qualquer momento, seja no transporte, em casa, no trabalho. O que incide na sua autonomia de escolher o seu próprio tempo e o seu espaço sem qualquer restrição por outras pessoas. (Hargittai e Hinnant, 2008)

Outra questão levantada é a necessidade de um design instrucional, na qual compreende-se como todo o planejamento dentro do processo de ensino-aprendizagem. Isto inclui “atividades, estratégias, sistemas de avaliação, métodos e materiais instrucionais. Tradicionalmente, tem sido vinculado à produção de materiais didáticos, mais especificamente à produção de materiais analógicos” (Filatro e Piconez, 2004, p. 02).

Neste sentido, também foi pensado uma maneira da fala do professor se tornasse evidente dentro do aplicativo. Logo foi criado uma imagética, ou seja, uma imagem com falas e figuras que ilustrassem o conteúdo.

O diferencial deste grupo foi que convidamos a Prof.ª Lilian de Assis Monteiro Lizardo, especialista na área das tecnologias, psicopedagoga e atuante na área da educação infantil desde 2004, para ministrar um Workshop presencial, para interagir com os alunos trazendo sua experiência acadêmica e prática pedagógica sobre a temática dos desenhos na educação infantil.

O debate digital fez parte do contexto presencial, quando as atividades do Workshop de artes dialogassem com as demais propostas de formação do educador infantil, temática principal da disciplina ministrada na faculdade.

 3.2 Workshop educacional: técnicas de arte para a educação infantil

 As interações educacionais realizadas na aula digital produziram um efeito positivo, pois durante o processo de participação observamos que os alunos atuavam em qualquer horário. Os alunos aproveitaram este momento e enviaram vídeos, relatos de caso e suas vivências pedagógicas, desenhos de crianças, artigos e reportagens sobre as temáticas tratadas. Para participação algumas foram experimentar as técnicas apresentadas pela Prof.ª Lilian de Assis Monteiro Lizardo e ao mesmo tempo avaliando os estágios dos desenhos que seus alunos poderiam estar vivenciando.

Todas as dúvidas foram trabalhadas e as devolutivas eram fornecidas durante a interação no grupo. Ao finalizar o curso os alunos comentaram sobre o Workshop educacional e solicitaram mais dicas e técnicas que poderiam ser utilizadas, foi quando a Prof.ª Lilian contextualizou outras linguagens que poderiam ser utilizadas junto às artes visuais, com outras materialidades como utilizando o próprio corpo, pinturas com bolhas de sabão, impressão das mãos criando diferentes desenhos.

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Desta forma, possibilitou que as estudantes entrassem em contato com as diferentes linguagens da arte, que por sua vez, “nos fazem vivenciar na vida e na sala de aula a emoção, a sensibilidade, o pensamento, a criação, seja através da própria produção, seja através das obras dos mais diversos autores e artistas” (Martins, Picosque, Guerra, 2010, p. 09)

As alunas despertaram interesse sobre a leitura das obras de arte refletido sobre uma ação docente promotora de cultura e que contribui para a construção de uma poética pessoal para si e seus alunos. As produções artísticas são um “modo singular de tornar visível seu olhar sobre o mundo” (Martins, Picosque, Guerra, 2010, p. 46).

Nesta perspectiva foi trabalhado com a metodologia triangular que compreende o ler, o fazer e o contextualizar (Barbosa, 2010).

No processo de leitura, foi incitado aos alunos olharem para a obra buscando relatar detalhes que as compõe. Cada obra faz parte de um mundo simbólico, que contempla a produção do sistema de signos. Ou seja, partindo da concepção semiótica de Peirce (2005) o signo representa algo para alguém, “se o signo é algo distinto do seu objeto, deve haver no pensamento ou na expressão, alguma explicação, argumento ou outro contexto que mostre como, segundo que sistema ou por qual razão, o signo representa o objeto ou conjunto de objetos que representa” (Peirce , 2005, p.47)

Desta forma ocorria a interpretação das obras artísticas de “Noite estrelada de Van Gogh”; “O abraço de Romero Brito”. Poesia de Cecilia Meirelles “Bolhas”; Body Art em Priscilla Davanzo – A mulher vaca; “O Jardim de Miró” de Miro, e a arte cubista de Piet Mondrian. A expressão poética entre os estudantes ocorreram em diversas obras. A que causou maior espanto foi a “A mulher vaca” em Priscila Davanzo, foi observado que a leitura neste momento percorreu a questões morais, como o que levou ela querer ser uma vaca.

Como algumas obras não faziam parte do acervo cultural das alunas constantemente foi levantada uma questão por parte das estudantes o que era ou não ser “arte”. Depois de, insistentemente, refletir sobre a intencionalidade do artista, na linguagem semiótica, e na essência do artístico, alguns conceitos foram sendo internalizados. Além de iniciarem um processo de inferência com a sua realidade, ao relacionar com suas experiências de família e amigos.

Após a leitura, ocorria a produção artística, ou seja, o fazer dentro da metodologia triangular. Neste momento, refletimos sobre o conceito de releitura, não como reprodução da obra, mas como inspiração de algumas singularidades que iria incidir na sua própria produção, de acordo com uma técnica de pintura estabelecida.

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Barbosa (2010) nos ensina que equivocadamente o tópico de produção artística foi sendo interpretada como cópia da obra lida. Na verdade, o que estamos propondo é o despertar da criatividade, como expressão através da imagem.

Durante a realização das técnicas, inicialmente as alunas sentiram dificuldade, dizendo que não sabia desenhar. A manifestação desta insegurança se deve pela comparação do seu próprio desenho ao modelo. Depois de conversar sobre a importância de se expressar, criar a partir de suas próprias habilidades, de desenvolver sensibilidade, e não possuir um julgamento precipitado de acordo com um padrão de beleza.

Para melhor conscientização foi mostrada a obra surrealista do Miró, em que não existe certo ou errado, é só imaginar e fruir. Assim, as alunas relaxaram e responderam a proposta do curso de produzir arte.

A apreciação pelo que estava sendo produzido era evidente, tanto que, na mesma semana, algumas técnicas foram sendo reproduzidas com seus alunos.

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Vídeo – Desenho coletivo

Quando nos referimos a etapa de contextualização foi focado na contextualização histórica da obra e no que pode contribuir para uma transformação histórica do indivíduo, quando este é submetido as diferentes manifestações da cultura. E o professor deve ser um mediador cultural, ou seja, refletimos sobre a contextualização do conhecimento aprendido, como poderiam transcender aquelas paredes para toda a sociedade.

Após o encontro presencial voltamos para um fechamento o curso online, em que a partir da solicitação das alunas de mais dicas e técnicas que poderiam ser utilizadas, foi quando a Prof.ª Lilian contextualizou outras linguagens junto às artes visuais, com outras materialidades como utilizando o próprio corpo, pinturas com bolhas de sabão, impressão das mãos criando diferentes desenhos.

 3.3 A avaliação da atividade semipresencial

 A avaliação da aprendizagem ocorreu durante as interações no aplicativo. Os fatores que contemplam esta ação foram: ressignificação do grupo educacional, etiqueta, atenção ao assunto tratado, qualidade do conteúdo exposto, interação com os participantes, sugestões de assuntos, instigar novos debates, produzir conteúdo, formação da opinião sobre a temática e outros pontos que podem surgir com alguma eventualidade. A avaliação do aplicativo por parte dos alunos sempre são fornecidas ao final de cada atividade.

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Nesta perspectiva podemos dizer que o Whatsapp pode ser uma ferramenta educacional que favorece o processo de ensino e aprendizagem, promove a imersão neste contexto digital e tecnológico, além de aproximar professores e alunos. Como os alunos são conectados nesta rede a tecnologia móvel cria um cenário diferenciado e atrativo na educação presencial. Ainda, o professor pode utilizar esta metodologia de trabalho digital com diferentes idades e tornar um aliado na educação.

 4. Considerações finais

 Por meio das “tecnologias moveis, que chegam as mãos dos alunos e professores, trazem desafios imensos de como organizar estes processos de forma interessante, atraente e eficiente dentro e fora da sala de aula, aproveitando o melhor de cada ambiente, presencial e digital” (Moran, 2013, p.13). Desta forma é possível pensar numa aprendizagem significativa com uso de diferentes aplicativos, a partir de uma perspectiva mobile learning, com o diálogo de duas modalidades de educação: presencial e digital.

A partir da realização deste curso, vimos que alguns aplicativos se transformam em ambientes digitais criando ambientes de aprendizagem virtuais, favorecendo as trocas de experiências, conteúdos, atividades e informações, que se transformarão em conhecimento. Neste tipo de atividade proposta para a coleta de dados, foi observado que os envolvidos devem possuir e desenvolver habilidades como as formas de pensar, opinar e contribuir, além de trocarem experiências de aceitação, responsabilidade, realizações das tarefas e juntos atingirem as metas estabelecidas para a construção do conhecimento coletivo.

Alguns desafios foram enfrentados para a concretização do curso, como acessibilidade (uso da internet móvel) por todos os alunos em qualquer lugar. Para aqueles com dificuldade, chegavam mais cedo na faculdade para utilizar o wi-fi no seu celular. Alguns conseguiram participar nos seus domicílios ou no transporte.

Diante deste dado é possível evidenciar como o uso da tecnologia e da internet pode gerar desigualdade digital, como afirma Hargittai e Hinnant (2008). Este ponto não foi discutido neste artigo, mas que poderá ser estudado futuramente diante de outros estudos comparativos. Todavia um ponto positivo foi a exclusão digital que envolvia parte das alunos, como desconhecimento de aplicativos de comunicação virtual, e de seus respectivos recursos.

Diante desta proposta, refletimos que Pallof e Pratt (2002) falam que a aprendizagem colaborativa é uma experiência com utilização de uma tecnologia, em que os alunos se envolvem, aprendem sobre o que é proposto, sobre o processo de aprendizagem e sobre si mesmos.

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Na perspectiva das autoras, os alunos que trabalham coletivamente produzem um conhecimento mais profundo, deixam de ser independentes para se tornarem interdependentes e acrescenta a importância do processo de compartilhar nos diversos momentos, pois nesta interação todos e os envolvidos criam expectativas e estas, por sua vez, faz os participantes convergirem e como resultado tem o processo de aprendizagem colaborativo. (Pallof e Pratt, 2004)

Neste sentido podemos verificar que as tecnologias sociais auxiliam os alunos a criar, construir, compartilhar além de superar dificuldades juntos. Criam um sistema de suporte colaborativo entre participantes, esta integração facilita o processo de comunicação, apresentação de conteúdo, recursos diferenciados, argumentos significativos e a participação de todos. Outro ponto é aquele aluno que não participa com opiniões no ensino presencial, neste modelo de atividade se coloca, se mostra, participa. Muitas são as descobertas em uma atividade como esta, professor e alunos, o crescimento e avanços são para todos os envolvidos. Diante da proposta de uma pessoa alheia a nossa convivência diária, como o caso da professora que ministrou o Workshop, não ocasionou timidez entre os alunos, ao contrário, levou a indagá-la sobre o processo de ensino de artes. No inicio a professora ficou surpresa ao utilizar esta ferramenta como parte de um projeto no ensino superior, buscando investigar se há cientificidade neste processo. Contudo, esta aula a distância superou suas expectativas, nos motivando a consolidar este trabalho e divulgar esta aula como registro escrito e fundamentado dentro do ambiente acadêmico.

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